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TAXAS DE GRAVIDEZ E CUSTOS FAZEM DA REVERSÃO DE VASECTOMIA A MELHOR OPÇÃO PARA REALIZAR O SONHO DA PATERNIDADE

  • há 3 horas
  • 5 min de leitura

A vasectomia é a forma mais comum de obstrução encontrada no tratamento da infertilidade. Reversão de vasectomia é requisitada por 2% a 6% dos homens para restaurar a fertilidade. A correção cirúrgica é realizada com por meio da microcirurgia dos vasos deferentes ou epidídimo mas, antes de realizar o procedimento cirúrgico, a parceira deve ser avaliada para determinar se existe infertilidade feminina. De máxima importância, a reconstrução microcirúrgica, caso tenha sido um sucesso, permite que os casais tenham mais filhos sem assistência médica adicional. Embora existam muitas dificuldades técnicas que possam resultar em falhas técnicas imediatas ou tardias, os resultados de vasovasostomia (união do de ambos os lados do canal deferente) resultam em restauração dos espermatozóides no ejaculado (permeabilidade) em aproximadamente 90% dos pacientes. Taxas de gravidez de 44% a 60% e de nascimentos vivos variam de 36% a 47%. A vasoepididimostomia (VE) – união do canal deferente com o epidídimo - é considerado um dos procedimentos microcirúrgicos mais difíceis de serem realizados por urologistas. Muito embora as taxas de permeabilidade para a VE variam de 70% a 85% e taxas de gravidez variam de 31% a 56% no tratamento do homem com obstrução epididimária independente da causa.


De Março de 2003 a Setembro de 2025, tive a oportunidade de realizar 274 casos de reversão de vasectomia. O tempo médio de obstrução foi de 8,78 anos, variando de 2 meses a 25 anos.


A idade da esposa variou de 28 a 42 anos, com idade média de 34,8 anos. A idade média do homem vasectomizado no dia da reversão de vasectomia foi de 42,7 anos, variando de 32 anos a 58 anos. As taxas de permeabilidade (aparecimento de espermatozoides no ejaculado) foi de 89,41% (245/274) e taxas de gravidez de 82,48% (226/274).


Um fator muito importante que influencia a probabilidade da presença de espermatozóides no sêmen e gravidez após a reversão de vasectomia é o número de anos entre a vasectomia e a tentativa de reconstrução do trato seminal. A extensão do período de obstrução e a chance de sucesso com a reversão de vasectomia são inversamente proporcionais. Para melhor avaliarmos o impacto do tempo de obstrução nas taxas de permeabilidade da anastomose e de gravidez, dividimos os pacientes em outros 2 grupos: pacientes com menos de 10 anos de obstrução (216 pacientes; 78,5%) e pacientes com 10 ou mais anos (58 pacientes; 21,16%). Nos pacientes com menos de 10 anos, a taxa de permeabilidade foi de 94,4% (204 pacientes) e de gravidez foi de 90,27% (195 pacientes). Nos pacientes com mais de 10 anos, a taxa de permeabilidade foi de 70,68% (41 pacientes) e de gravidez foi de 53,44% (31 pacientes). 


Quando avaliamos apenas os paciente com mais de 15 anos de vasectomia, foram realizados 32 casos. Destes, a taxa de permeabilidade foi de 68,75% (22 pacientes) e de gravidez de 53,12% (17 pacientes). 


Em uma outra análise, os pacientes então foram divididos em 3 grupos: aqueles que realizaram a vasovasostomia bilateral (224 pacientes), aqueles que realizaram de um lado a vasovasostomia e do outro lado a vasoepididimostomia (21 pacientes) e aqueles que realizaram a vasoepididimostomia bilateral (12 pacientes).


Dos 241 casos de vasovasostomia, a taxa de permeabilidade da cirurgia (aparecimento de espermatozoides no ejaculado) foi de 224 (92,94%) e de gravidez de 208 (86,3%). Dos 21 casos de vasovasostomia de um lado e vasoepididimostomia do outro, a taxa de permeabilidade da cirurgia (aparecimento de espermatozoides no ejaculado) foi de 14 (66,67%) e de gravidez de 12 (57,14%). Dos 12 casos de vasoepididimostomia bilateral, a taxa de permeabilidade da cirurgia (aparecimento de espermatozoides no ejaculado) foi de 7 (58,13%) e de gravidez de 6 (50%). 


Estes resultados são no mínimo comparáveis aos resultados alcançados na melhor das hipóteses com a Fertilização in vitro. Porem, é fundamental destacar que os melhores resultados são alcançados com cirurgiões com treinamento e experiência em microcirurgia.


A idade da parceira é importante porque a fertilidade feminina diminui progressivamente após os 35 anos de idade e é limitada após os 40 anos. Devido ao fato que o intervalo médio entre a reversão de vasectomia e a gravidez pós-procedimento seja de 12 meses, casais devem considerar a possibilidade de realizar captação espermática com ICSI quando a parceira apresenta uma idade superior a 40 anos de idade. Muito embora em casais onde a parceira apresenta 40 anos de idade as taxas de sucesso com FIV diminuam rapidamente, os estudos demonstram que vale a pena realizar reconstrução microcirúrgica do trato masculino mesmo em casos quando a parceira tenha idade superior a 35 anos de idade.


Dividimos os pacientes de acordo com a idade da mulher em 2 grupos: pacientes com menos de 35 anos (186/274) e pacientes com 35 anos ou mais (88/274). Nos pacientes onde as esposas tinham idade inferior a 35 anos, a taxa de permeabilidade foi de 90,86% (169 pacientes) e de gravidez foi de 84,94% (158 pacientes). Nos pacientes onde as esposas tinham idade igual ou superior a 35 anos, a taxa de permeabilidade foi de 86,36% (76 pacientes) e de gravidez foi de 77,27% (68 pacientes). 


De uma maneira geral, as taxas de gravidez com a Fertilização in vitro variam de 45% a 60% por ciclo, sendo altamente influenciadas pela idade da mulher. Mulheres com idade inferior a 35 anos apresentam taxas que variam de 45-70%, reduzindo para 35-40% entre 36-38 anos, e caindo abaixo de 20-15% após os 40 anos de idade.


Claramente, o custo por nascimento para reconstrução em casos de azoospermia obstrutiva é extremamente inferior do que os associados com FIV. Esta informação deve ser usada na decisão do algoritmo para os casais que desejam ter o retorno do potencial fértil após a vasectomia. A decisão final sobre o melhor método, reconstrução microcirúrgica ou captação de espermatozóide com FIV é idealmente feita pelo casal bem informado em conjunto com o especialista em medicina reprodutiva.


Ao avaliar os custos de uma reversão de vasectomia é importante destacar que os custos estão relacionados com custos hospitalares, equipes anestésica e cirúrgica. De uma maneira geral, os custos da cirurgia de reversão de vasectomia são em torno de 20 a 25 mil reais. Quando se avalia os custos de uma fertilização in vitro e captação de espermatozoides, é importante avaliar custos de medicação para estímulo da ovulação, anestesia para captação de espermatozoides e óvulos, fertilização in vitro e congelamento de espermatozoides se necessário. Assim sendo, os custos deste tratamento no casal onde a vasectomia é a causa da infertilidade varia de 35 a 45 mil reais. 


Após avaliar os resultados da reversão de vasectomia, assim como avaliar os custos e compará-los com os da fertilização in vitro, concluímos que, sem sombra de dúvida, que o procedimento microcirúrgico apresenta uma melhor relação custo-efetividade do que captação de espermatozóides e FIV ou ICSI, os quais requerem intervenção em ambos os componentes do casal.

 
 
 

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